A Balada na Década de 70 X 2013

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Alguns pais de hoje que já curtiram uma baladinha nessa década falam
com espanto das baladas, mas será que elas eram tão diferentes
assim? A verdade é que não! Nessa época, auge da disco music, as casas
noturnas estavam começando a dar os primeiros passos para as baladas
como elas são hoje: um forte show de luzes dando destaque à pista e
também a presença de um DJ agitando a galera. O que mais chama a atenção
no entanto, era a mentalidade do público da época. A busca pelo prazer,
chamada de hedonismo, era a forma de os jovens se manifestarem contra a
caretice e repressão do regime militar. As noites eram embaladas por
sexo drogas, disco e soul music – só faltou o rock and roll. Jovens de
todas as classes sociais se reuniam nas boates mais populares, quer
fossem negros, quer fossem brancos, gays ou héteros e todos curtiam como
se o dia seguinte não fosse existir. Tudo motivava quem estava lá a se jogar na pista, e a bebida da época era a cuba libre – a predileta de muitos. Elas
existem desde o princípio do século e são muito importantes para
alimentar o cenário musical atual.

Hoje demos à palavra um novo sentido, que diga-se de passagem é bem
mais interessante. A balada é uma etapa importante para a vida do jovem. “Onde já
se viu, essas meninas soltas pela rua, de madrugada, com sainhas
curtinhas? E esses rapazes bebendo como mortos de sede no deserto?? Esse
mundo está mesmo perdido…dizem os pais de hoje”
Balada dá a esperteza que precisamos para estarmos mergulhados neste
mundo às avessas. O que seria de nós sem os beijos noturnos, sem os
abraços quentes, sem as músicas estourando os tímpanos?
É na balada que descarregamos nossos cansaços, nossos desgostos,
nossa falta de bom senso. Na madrugada fria nos aquecemos e na quente
pegamos fogo. É o nosso momento mais jovem. Como o mundo está em
constante transformação, estamos ganhando responsabilidades cada vez
mais cedo, temos uma vida de pseudo adultos e não de jovens. Descontrair
para nos tornarmos normais, para sermos jovens de fato.
Você já parou para observar como um jovem que não vai às baladas é um
ser a parte do mundo? Ele simplesmente não pode ser considerado normal,
deve ouvir Nelson Ned e Angela Maria e ler Sabrina antes de dormir. É o
tipo de gente que vê gnomos e morre de medo de bruxas. É um ser quase
sempre excluído, o laranja da turma, o zé-tontão. E a primeira balada de
alguém assim é uma perdição. Eles querem beber de tudo, dançar com todo
mundo e catar qualquer coisa, só para acordar dizendo que beijou na
boca.
Estar na balada é bem mais do que sair para se divertir. É curtir os
amigos, conhecer pessoas, esbarrar no amor, ser livre por um instante
fazendo algo que agrade, deixar a música levar o corpo para um estágio
de prazer. O que nunca pode faltar é alegria e responsabilidade. Um bom
baladeiro tem direitos e deveres, e deve exigir e cumprir todos eles.

Você não pode achar que a pista é um ringue e sair se achando o Popó,
batendo em todo mundo. Deve ser responsável o bastante para curtir a
noite com respeito a si próprio, preservando a sua vida antes do uso de
drogas e bebidas alcóolicas. É claro que ninguém vai para a balada só
para dançar, como não vai só para beijar, mas que nunca seja só para
beber, sacou? O bom mesmo é unir o útil ao agradável…
Você chega, mede o ambiente, mira um alvo, toma uma bebida que seja
suficiente para você, vai para pista, dança, dança, dança…até que o alvo
esbarra no seu ombro e como quem não quer nada, pede aquela desculpa
esfarrapada, e basta para você conversar horas a fio, beijar muito na
boca e ser feliz pela noite toda. Se rolar a troca de telefones você irá
passar a semana inteira esperando o telefone tocar ou irá fazê-lo para
não ter que esperar. Mas se foi só aquele momento e nada mais, você terá
aprendido alguma coisa com aquele alguém, que usará na próxima balada.
Mas… e se eu não beijar ninguém? Confesso que acho bem melhor não
beber nada, mas se você não beijar e daí? Virão outras baladas e um dia,
quem sabe, você não esbarre em alguém que também precisa de companhia.
Balada é refúgio do jovem, é a busca da felicidade que esteve oculta durante a dia todo.
E vamos às nossas definições:
Música dançante tocando altamente, para
turbinar o sangue. Beijo na boca 
Pop, eletrônica. Diversão garantida e prazeres vividos. Adrenalina, corpo pegando
fogo.  O básico, essencial.

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